Primeiro deputado negro de Uberlândia, parlamentar por quatro mandatos, Gilmar construiu atuação que inclui criação de legislação, participação em debates nacionais, ações afirmativas, defesa da cultura negra e destinação de recursos públicos para políticas de igualdade racial
A candidatura de Gilmar Machado a deputado federal chega às eleições de 2026 acompanhada de uma trajetória política construída ao longo de décadas e marcada, entre outras frentes, pela defesa da igualdade racial, do combate ao racismo e da ampliação de direitos e oportunidades para a população negra.
Professor de História e primeiro deputado negro de Uberlândia, Gilmar iniciou essa atuação ainda na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e posteriormente ampliou sua participação no Congresso Nacional. Ao longo desse percurso, a pauta racial esteve relacionada a diferentes áreas de políticas públicas, como educação, cultura, trabalho, saúde, esporte, direitos sociais, ações afirmativas e participação da população negra nos espaços de decisão.
A Consciência Negra ganha espaço em Minas Gerais
Um dos primeiros marcos dessa trajetória ocorreu em 1995, quando Gilmar Machado, então deputado estadual, foi relator do Projeto de Lei nº 303/1995, responsável pela criação do Dia Estadual da Consciência Negra em Minas Gerais, posteriormente transformado na Lei Estadual nº 11.990/1995.
Em seu parecer, Gilmar relacionou o 20 de Novembro não apenas à memória de Zumbi dos Palmares, mas também à construção da cidadania e à defesa de direitos da população negra. O debate envolvia temas como igualdade, direitos quilombolas, educação, trabalho, habitação e combate ao racismo, ampliando a compreensão sobre a importância da data e da valorização da história da população negra.
Da Assembleia Legislativa para o Congresso Nacional
Já como deputado federal, Gilmar ampliou sua participação nas discussões nacionais relacionadas ao enfrentamento do racismo. Ele integrou a Comissão Externa da Conferência Mundial de Combate ao Racismo, na condição de segundo vice-presidente e titular, e também participou da Frente Parlamentar de Defesa da Promoção da Igualdade Racial.
Em 2001, participou da preparação brasileira para a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban, na África do Sul. A atuação parlamentar também incluiu a defesa do debate sobre ações afirmativas, cotas universitárias e políticas de saúde voltadas à população negra.
Defesa do 20 de Novembro e da memória de Zumbi
A valorização da Consciência Negra continuou presente durante sua atuação na Câmara dos Deputados. Em 1999, Gilmar utilizou a tribuna para defender o Dia Nacional da Consciência Negra, destacando a importância da memória de Zumbi dos Palmares e da necessidade de enfrentar preconceitos e intolerância. Quatro anos depois, em 2003, foi relator de uma proposta que buscava transformar o 20 de Novembro em feriado nacional, apresentando parecer favorável à iniciativa.
Ações afirmativas dentro da própria Câmara
A defesa da igualdade também esteve presente dentro das próprias instituições públicas. Em 2003, Gilmar participou da proposta de criação de um Programa de Ações Afirmativas na Câmara dos Deputados. A iniciativa buscava reduzir desigualdades étnico-raciais dentro da estrutura do Legislativo, ampliando o acesso e a permanência de afrodescendentes no quadro de pessoal da Câmara. Sua atuação também esteve relacionada ao debate nacional sobre o Estatuto da Igualdade Racial.
Educação como instrumento de combate ao racismo
Professor de História, Gilmar também participou das discussões sobre a implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História da África e da cultura afro-brasileira nas escolas.
Em 2003, coordenou uma mesa de seminário realizado pela Câmara dos Deputados sobre a implementação da legislação, reunindo representantes do Ministério da Educação, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, pesquisadores e especialistas.
A atuação refletia uma compreensão de que o combate ao racismo também passa pela educação, pela memória e pelo reconhecimento da identidade e da contribuição histórica da população negra.
Mulheres negras e direitos sociais
A pauta racial também foi relacionada por Gilmar às desigualdades enfrentadas pelas mulheres. Em pronunciamento sobre os trabalhadores domésticos, chamou atenção para a forte presença de mulheres negras nessa categoria profissional e para as desigualdades sociais e trabalhistas historicamente enfrentadas por essas trabalhadoras.
A abordagem relacionava raça, gênero, pobreza, trabalho e direitos sociais, considerando que as desigualdades que atingem a população negra também podem se aprofundar quando associadas a outras formas de vulnerabilidade.
Combate ao racismo no esporte
O enfrentamento da discriminação também chegou à pauta esportiva. Em 2005, Gilmar ocupou a tribuna da Câmara para repudiar um episódio de racismo envolvendo um jogador argentino durante uma partida realizada no Brasil. Na ocasião, defendeu a adoção de sanções contra manifestações racistas no Estatuto do Desporto, reforçando a necessidade de mecanismos institucionais para combater a discriminação dentro e fora dos campos.
Igualdade racial também no Orçamento da União
Para Gilmar, a promoção da igualdade racial não deveria permanecer restrita aos discursos ou debates legislativos. A pauta também precisava chegar ao Orçamento da União. Durante sua atuação parlamentar, destinou emendas de sua autoria ao programa Gestão da Política de Promoção da Igualdade Racial, contemplando ações de apoio a iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial.
Em 2010, também destinou emenda para a Promoção de Políticas Afirmativas para a Igualdade Racial em Uberlândia. A utilização do orçamento público como instrumento de promoção da igualdade representa uma das dimensões da atuação de Gilmar na área.
Em Uberlândia, investimento na memória e na cultura negra
Um dos principais legados dessa atuação está em Uberlândia: o Centro de Informação e Referência da Cultura Negra de Uberlândia e Região – Graça do Aché. Como deputado federal, Gilmar assumiu o compromisso com a criação do equipamento, destinando recursos de emenda parlamentar e articulando junto à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) a disponibilização do terreno e a construção do espaço. O centro foi concebido como um equipamento dedicado à memória, à cultura e à história da população negra de Uberlândia e região.
Representatividade também chegou à Prefeitura
A trajetória de Gilmar também representa um marco de representatividade política em Uberlândia. Ele foi o primeiro prefeito negro e evangélico da cidade, levando a representatividade negra para o comando do município. Durante sua gestão, a política municipal de igualdade racial ganhou estrutura e instrumentos de participação, com iniciativas relacionadas à SUPIR, COMPIR e FOPIR.
Também foram desenvolvidas ações de formação e capacitação em políticas de igualdade racial, incluindo iniciativas específicas voltadas às mulheres negras. Quando prefeito, Gilmar Machado também foi autor da lei que criou o Dia Municipal da Consciência Negra, fortalecendo a valorização da história, da cultura e da luta da população negra no município.
Uma atuação que ultrapassa os discursos
A trajetória apresentada no levantamento mostra que a atuação de Gilmar Machado na defesa da igualdade racial ocorreu em diferentes espaços e momentos de sua vida pública. Ela passou pela criação de legislação, relatorias, participação em comissões e frentes parlamentares, debates nacionais, ações afirmativas, educação, defesa das mulheres negras, combate ao racismo no esporte, orçamento público, investimentos culturais e políticas municipais de participação social.
Entre as pautas relacionadas à sua atuação estão: combate ao racismo; ações afirmativas; educação da população negra; cultura afro-brasileira; mulheres negras; direitos trabalhistas; juventude; cotas no serviço público; participação do movimento negro; saúde da população negra; financiamento público para igualdade racial; valorização da história e cultura africana; combate à discriminação no esporte e participação social.
Assim, a questão racial aparece como uma pauta transversal em sua trajetória política, relacionada à construção de políticas públicas e à ampliação da participação da população negra nos espaços institucionais.
Uma trajetória que chega às eleições de 2026
Agora, candidato a deputado federal, Gilmar Machado apresenta essa trajetória como parte da experiência que pretende levar novamente para Brasília. A proposta é dar continuidade à defesa de igualdade de oportunidades, combate ao racismo, valorização da cultura negra, educação, direitos sociais e políticas públicas voltadas à população que mais precisa.
Depois de uma trajetória iniciada ainda na Assembleia Legislativa e ampliada no Congresso Nacional e na Prefeitura de Uberlândia, Gilmar busca retornar à Câmara dos Deputados levando consigo a experiência acumulada em diferentes áreas da administração pública e da atuação parlamentar.
A defesa da igualdade racial, nesse percurso, aparece não apenas como posicionamento político, mas como uma agenda que esteve presente em leis, debates, instituições, orçamento público, políticas municipais e investimentos em educação e cultura.
Gilmar Machado é candidato a deputado federal e apresenta sua trajetória na defesa da igualdade racial como parte de seu compromisso com uma sociedade de mais direitos, oportunidades, representatividade e combate à discriminação.
